Lúcia Helena Galvão provoca reflexão sobre o que realmente permanece de uma vida

Em evento do Grupo Diersmann, filósofa abordou o legado como resultado do impacto produzido na vida de outras pessoas

Para Lúcia Helena Galvão , o legado não está necessariamente relacionado a conquistas, bens ou reconhecimento pessoal – (Foto: Júlio César Lenhard)

        Quando uma pessoa deixa de existir, o que de fato permanece? A pergunta conduziu a palestra “Legado: o que permanece de nós”, apresentada pela filósofa Lúcia Helena Galvão na noite desta quinta-feira (17), no Teatro do Colégio Mauá, em Santa Cruz do Sul. A partir da provocação, ela propôs ao público uma reflexão sobre o que dá sentido a uma trajetória e sobre a diferença entre aquilo que se acumula ao longo da vida e aquilo que efetivamente permanece depois dela.

        Na perspectiva apresentada pela filósofa, o legado não está necessariamente relacionado a conquistas, bens ou reconhecimento pessoal. Ele é construído a partir daquilo que uma pessoa é capaz de provocar na vida de outras. Assim, o valor de uma existência estaria menos no que foi conquistado para si e mais no impacto produzido na realidade ao redor.

Público lotou o teatro Mauá em Santa Cruz do Sul (Júlio César Lenhard)

        A transformação foi apresentada como elemento central desse processo. Para deixar uma marca que ultrapasse a própria existência, é necessário direcionar esforços para além dos interesses individuais, utilizando conhecimentos, capacidades e experiências para contribuir com a coletividade. O legado, nesse sentido, não seria resultado de uma busca pelo reconhecimento, mas consequência de uma vida orientada por propósito.

        Outro ponto abordado foi a relação entre legado e serviço. Para Lúcia Helena Galvão, aquilo que permanece depois da partida está ligado à utilidade e à generosidade das ações realizadas enquanto se está presente. São os efeitos produzidos na vida de outras pessoas que podem continuar existindo mesmo quando aquele que os provocou já não está mais aqui.

Para a palestrante, aquilo que permanece depois da partida está ligado à utilidade e à generosidade das ações realizadas enquanto se está presente – (Foto: Júlio César Lenhard)

        Ao propor uma reflexão sobre o que permanece de cada pessoa, Lúcia Helena Galvão deslocou o conceito de legado da ideia de patrimônio para a de transformação. Mais do que aquilo que alguém consegue guardar para si, permanece aquilo que foi capaz de fazer chegar ao outro. É nesse ponto que, na perspectiva apresentada pela filósofa, o propósito deixa de ser apenas individual e passa a ganhar dimensão coletiva.

        A programação também marcou o lançamento oficial do Projeto Pequenos Anjos, iniciativa do Grupo Diersmann que oferece serviços funerários gratuitos a famílias que enfrentam perdas gestacionais, neonatais ou a morte de crianças de até 7 anos. O projeto contempla moradores de 30 municípios dos Vales do Taquari e Rio Pardo e entrou em vigor nesta sexta-feira (18).

Texto: Júlio César Lenhard

Durante a noite também ocorreu a apresentação oficial do Projeto Pequenos Anjos (Foto: Júlio César Lenhard)